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16 de mar de 2010

Transformações pela Música

" A música é a voz harmoniosa da
criação; um eco do mundo invisível;
uma nota de divina concordância;
que o universo inteiro, um dia, está
destinado a soar".
Mazzini

Gramofone
A música pode despertar nos seres diferentes reações sejam elas de natureza negativa ou positiva desde que pela ressonância o seu efeito se faz sentir em tudo o que estiver em seu alcance e isto pode ocorrer em qualquer um dos seus três aspectos transcendentais. Em seu aspecto Brahmâ ela exerce uma ação construtiva, positiva; em Vichnu um ação conservadora; e em seu aspecto Shiva, destruidor, negativo, degradante.

Desses aspectos pode-se entender que a música na verdade está ligada intimamente às transformações da sociedade humana, num ou noutro sentido, mas vale questionar se ela é causa ou o efeito das transformações, da queda, ou da ascensão de um povo. Pode-se indagar se a sociedade degrada a música ou se a música degrada a sociedade. Vejamos o que nos diz a Ordem Pitagórica: "A música libera, no mundo material uma energia fundamental, superfisica, que vem de fora do mudo da experiência cotidiana".


Embora as duas possibilidades caminhem juntas há fortes indícios, pelo que revela a história, a degradação primeiro se faz sentir na música. Pela história podemos evidenciar que os dois tipos básicos de música, o das trevas, e o da luz, mas que somente uma costuma prevalecer num determinado período de uma civilização. Quando predomina a música sublime e bela a civilização floresce tanto quanto o verdadeiro progresso espiritual do povo. Toda vez que a música principal de uma civilização é de natureza mais grosseira e depravada, a própria civilização principia a entrar em declínio, acabando por deixar de existir como civilização. A própria história revela que o declínio da civilização clássica da China e da Índia coincidiu com um declínio da qualidade musical, e o mesmo pode-se dizer de outros povos.

O que ocorreu na Grécia antiga é um exemplo bem claro da relação entre a música e a decadência cultural de um povo. A música grega entrou em declínio durante a era de Péricles, por volta de 444 - 429, época em que a civilização grega o seu mais elevado nível. A historia da música revela que no final desse período começaram a ocorrer alterações na música e isto foi o primeiro indicador do caminho da decadência. Ainda no período áureo da cultura na Grécia começaram a surgir as chamadas inovações baratas, modulações excessivas e estilos estranhos. Houve certa reação às inovações por parte de muitos pensadores, teatrólogos, entres estes Aristófanes que em suas peças satirizava a música surgente de natureza fútil e banal, mas os apelos contra as transformações chegaram demasiado tarde, a nova música já se instalara suplantando os estilos mais refinados e disciplinados. Na medida em que a musica deteriorava-se se deu o início do ocaso da daquela civilização[1].

A China antiga havia um nível de equilíbrio humano relativamente bom, mas depois quando o controle sobre a música foi atenuado começaram a ocorrer as transformações sociais chegando a um nível em que as aldeias passaram a viver um período de baixíssimo desenvolvimento social, chegando em muitos casos próximos à barbaria. Os chineses haviam esquecido que a música era uma força tão importante na alterarão dos fenômenos sobre a terra que seria imprudente, perigoso e talvez até temerário, no correr do tempo, permitir aos músicos que escutassem o que bem entendessem. A música deixara de ser regulada e consequentemente os valores espirituais do povo começaram a declinar.

É digno de nota que também, a música destrutiva, quando parece numa civilização costuma faze-lo de repente, irrompendo qual uma autêntica vaga que obedece a uma estratégia deliberada. Assim é que acontece, em poucas décadas atinge uma posição de poder e de ampla popularidade no seio das massas; logo se avulta sua influência sobre a sociedade em geral, produzindo, não raro, uma mudança rápida e negativa na filosofia, na política, na moral, nos valores pessoais e, conseqüentemente, nos estilos de vida.

O Século XX vem vivenciando uma imensa explosão de sons, uma imensa disponibilidade das mais diversas variedades de ritmos tonais. Hoje em dia a pessoa tem à sua disposição um número imenso de estilos musicais como jamais ocorreu em qualquer outra época deste ciclo de civilização[2]. Atualmente encontram-se disponíveis gravações e execuções ao vivo uma extensíssima gama de opções que a pessoa pode escutar mesmo não querendo. Os meios de difusão são tais que pessoa é forçada a ter que escutar aquilo que não quer.

No que diz respeito à música o século XX notabiliza-se pela espantosa variedade de sons disponíveis, pela facilidade com que podem ser adquiridos, e pelo preço monetariamente insignificante, mas o que não se tem dado o devido valor é no que tange ao preço social e espiritual que isto tem custado e que ainda virá a pesar sobre a humanidade deste período de transição.

Podemos dizer que existe hoje uma hiper-inflação de músicas por onde quer que se esteja, mesmo dormindo a pessoa está sendo estimulada por músicas de radio, de televisão, ou tocadas em sistemas de sons de bares, carros e assim por diante. Nunca antes a música foi tão facilmente acessível, tão diversificada e continuamente despejada em quase todos os lugares sem que a maioria das pessoas tenham conhecimento real, pratico, da sua natureza potencial e consequentemente dos efeitos que podem ser causados.

É possível que a maior fraqueza da visão materialista moderna do mundo seja a sua incapacidade de perceber as causas dos efeitos. Nesse sentido os filósofos da antiga China, Índia e Egito merecem o nosso mais profundo respeito visto que eles tiveram empenho em ver a causa e o âmago das coisas e, decerto, tinham conhecimento de que a música pode destruir a civilização.

Diante da degradação moral que predomina no mundo atual a Grande Fraternidade Branca, através das organizações que a representam vêm desenvolvendo uma contra-reação re-introduzindo os conhecimentos esotéricos a respeito da música, em especial os conhecimentos pitagóricos. Algumas organizações estão tentando inspirar estilos de música positiva. Baseado nisto escreveu David Tame[3]: " Para que esse retorno aos princípios antigos seja realmente poderoso e eficaz em sua ação, é provável, que venhamos a presenciar não só um ressurgimento da sabedoria antiga, mas também de algo inteiramente novo e revolucionário... Essa revolução na ciência do som está sendo propiciado pela Grande Fraternidade Branca através de algumas Ordens que são os ramos de sua atividade exterior...."

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Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br

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Notas:

[1] - Queremos salientar que não estamos medindo o grau de civilização pelo desenvolvimento técnico como acontece na atualidade, mas sim pelos valores éticos, morais, filosóficos, culturais e religiosos.

[2] - No Ciclo de Civilização da Atlântida também houve esse tipo de fenômenos e que sem dúvida foi uma das causas que contribuiu para a derrocada final.

[3] - The Secret Power of Music - 1994