Páginas

16 de mar de 2010

Os Mistérios dos Sons e da Música

" A música é um aspecto
divino de um Deus sem Forma "
V\ T. E. M.

Todas as formas são sons
Nos hieróglifos egípcios aparece com certa freqüência o símbolo de Horus e de outros deuses emitindo um feixe de raios direcionados para baixo. Tal símbolo, segundo uma interpretação singela indica os raios do Sol direcionados a terra, mas num nível mais elevado de entendimento, representa os raios descendentes de Nu originando os primeiros deuses, ou seja, a gênese dos deuses partir de o Único. Invariavelmente os raios são desenhados como linhas radiantes e descendentes. Algumas vezes vê-se que as mãos através dos raios estão presas às extremidades inferiores, Então, trata-se da representação dos Tons Cósmicos modelando as coisas, e por isso eles variam de conformidade com o número indicativo dos Tons Cósmicos que integram as coisas criadas, portanto podem aparecer em número de sete, de doze ou, de com menor freqüência, de treze.

O clero egípcio usava o som como meio de invocar o poder de Amén, equivalente ao OM dos Vedas. Tanto a música de instrumentos quando a voz humana era usada na emissão de mantras e de invocações, ou, por outro lado como meios de veiculação de sobre os elementos da natureza.

Fora da Atlântida, sem dúvidas, foi no Antigo Egito onde o poder dos sons foi mais amplamente usado. Provavelmente, mais do que em qualquer outro lugar do mundo histórico, os mistérios dos sons e da música foram mais bem conhecidos do que no Antigo Egito. Lá os sacerdotes e iniciados usavam os sons não de forma aleatória, pois eles conheciam bem o lado científico das vibrações e assim conscientemente elaboraram formulas verbais e sonoras com propósitos bem definidos.

Existem muitos mistérios na música que o homem comum está distante de compreender. A sabedoria antiga diz que o som tem a ver com a preservação de todos os átomos e de todos os mundos e o processo da creação é continuo e sempre presente através dos sons. A matéria não apenas se cria, se preserva e se dissipa por meio do Som Cósmico. Sem ele coisa alguma poderia existir. Com efeito, matéria é o Som Cósmico - Vibração Divina, em forma densificada, o que eqüivale dizer que a matéria é a Harmonia das Esferas Cristalizada! Invertendo os temos: O Som Cósmico é a matéria em solução. Eis o que em essência significa também a expressão alquímica " Solve e coagula.".

Pelo que foi exposto endossamos as palavras da V\ T. E. M quando diz: " A música é uma forma de expressão de Um Deus sem forma ".

O som, - O Verbo - portanto pode ser considerada uma parcela manifesta do Inefável, ou como O chamavam os egípcios, de Nu. Por isto os antigos diziam: "Leve-se embora o Verbo e a matéria reverte-se instantaneamente á energia invisível do Nada".

O universo, a Terra, e nós mesmos sobre ela existimos porque existe O Verbo. Para o iogue: "OM é algo tão imediato quanto o ar que nos rodeia, ressoando no presente e no eterno, marca o ritmo de todos os corações e fala a todo aquele que tem ouvidos para ouvir" . Os grandes místicos de todos os tempos sentiram que o Verbo imanente existe em torno deles e que por ele a creação se fez e constitui o existir da vida, que a creação não se fez e nem se consumou, portanto que "As Estrelas Dava ainda cantam juntas" como está escrito no livro de Jó. (Entenda aquele que puder entender).

Os Grandes Iniciados conhecem bem o sentido e o uso do OM. Sob a forma de AUM eles podem externar grandes poderes, desde que sabem como esse som é composto. Diz a Tradição: "AUM é composto de um som maior, de três sons menores e de sete tons vibratórios sub-sidiários" ... Quando Eles mantêm a vontade de Deus em solução, é somente uma nota clara; quando Eles a colocam em movimento, são três coros constantes que transportam para os mundos exteriores o Desígnio do Único que ficará para os Eons; quando Eles levam essa Vontade à demonstração, então são sete tons vibratórios que se prolongam e são refletidos na estrutura dos Planos"... "É assim que a nota, os coros e os tons produzem o Plano, revelam o Desígnio e indicam a vontade de Deus". Esta é uma citação encontrada em alguns antigos Arquivos de Shambala e que são objeto de estudo dos Mestres.[1].

Assim atuam os Mestres de Sabedoria da G.L.B (Grande Loja Banca), o mesmo que era ensinado por Thoth e ainda transmitido e explicado por algumas doutrinas orientais e por certas ordens herméticas autênticas, entre as quais a V\ O\ H\.

Em determinados momentos a natureza parece parar, o vento para, todos os elementos da natureza silenciam, os animais aquietam-se, tudo se torna sereno, e os sensitivos e iniciados percebem isto claramente em determinados momentos não muito freqüentes. Dizem os orientais, especialmente os da Índia e povos que vivem nos planaltos do Himalaia, que aquele é o momento em que o "Rei do Mundo" fala com Deus. Na verdade trata-se do momento em que Melquisedec - pelos orientais ligados a G. F. B. tem o nome de Sanat Kumara, ponto focal da manifestação divina no nosso Logos Planetário - pronuncia o Som Cósmico, o AUM, confirmando pelo Amén a Sua missão de mentor da terra perante o Absoluto Deus. Com este som ele energiza todo o planeta expressando com perfeição a "Parcela Divina de um Deus sem forma".

Quem mais difundiu a relação entre o Universo e a música neste ciclo de civilização, sem dúvida foi Pitágoras ao citar a existência de uma musicalidade universal resultante do deslocamento dos corpos celeste. Em nossa época histórica, foi ele quem descobriu que existia uma relação fundamental entre a harmonia da música e a harmonia dos números, e que o universo era constituído por uma expressão numérica que podia ser geometricamente representada. " Tudo é número, dizia ele"... Pitágoras descobriu que as relações numéricas simples são as responsáveis pela harmonia na música.

A natureza musical do mundo está expressa nos ensinamentos dos pitagóricos. Vamos transcrever o que Cícero escreveu em A República, sec. ( a.C. , ed. Escugarda, 1779):

"Scipio viu em sonho o firmamento celeste com as órbitas dos seus nove planetas. A órbita exterior, a 'primum nobile' é o próprio Deus, que abarca todas as outras: 'que som é este, tão prodigioso e doce, que me enche os ouvidos?´ - É o som que, ligado a espaços desiguais, mas racionalmente divididos numa proporção específica, é produzido pela vibração e pelo movimento das próprias esferas, e, combinando notas agudas e graves, gera diversas harmonias; com efeito, movimento tão prodigioso não podem ser impulsionado no silêncio, e é de própria vontade da Natureza que a esfera exterior soe, por um lado, mais grave e, por outro lado, mais aguda... Aquelas esferas produzem sete sons distintos consoante os espaços vazios, número esse que é a chave de todas as coisas..."

********************

Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br
--------------------------------------------------------------------------------
Notas:

[1] - Referência Bibliográfica: " Lumieres de la Grande Log Blanche - Michel Coquet - 1987 - Edicions de L´Or du temps. Luzes da Grande Fraternidade Branca - Ed. Madras - São Paulo - l998