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6 de out de 2009

A Música na Sociedade Humana

" O grau de desenvolvimento espiritual
de um povo se conhece pela sua música".

Cítara
"À música caberia transmitir verdades eternas e influir no caráter do homem visando torná-lo melhor".

Pelo que já temos estudado sobre o Princípio Hermético da Vibração com relação à música vemos que esta tem uma força capaz de exercer influências não apenas a nível mental, mas também, e com grande intensidade, sobre o mundo material. Sendo assim pode-se considerar a música como algo físico e não abstrato nem insubstancial como pode parecer à primeira vista desde que as suas vibrações podem ser mensuráveis e que assegura essa afirmação, até mesmo porque chega ao ponto de fazer oscilar ou mesmo rebentar objetos à distância.

Os sons e a música provocam todos os tipos de ressonâncias vibratórias em objetos à distância, pelo que podemos admitir ter ela uma força capaz de agir sobre o mundo à sua volta quer seja no aspecto físico, quer no espiritual. Tem uma força que age sobre o mundo à sua volta; uma força que exibe, ao mesmo tempo, um aspecto físico - audível - e um aspecto místico - inaudível -.

Pelas razões expostas os sábios da antigüidade preocupavam-se com os efeitos mais comuns da música na sociedade em geral e sobre o comportamento humano em particular. Muitos deixavam em segundo plano o aspecto estético valorizando mais os efeitos psicológicos das melodias e ritmos audíveis ao que atribuíam um poder mais intenso e mais potente, uma força inaudível e invisível, apenas compreensível em termos de filosofia não materialista.

Por tudo isto e mais é que a Escola Pitagórica e as Ordens legítimas que a sucedem reservam alguns anos de estudo à música em todos os seus aspectos.

Na eternidade é o OM, que manifesta-se como Tons Cósmicos e que desdobram-se no Mundo Imanente em notas que organizadas em variadas formas constituem a música. A sabedoria antiga liga os Tons e as Notas Musicais ao OM. constituindo o AUM. [1]

Este é a primeira vibração, aquela que se faz sentir quando o aspecto RA atua sobre o aspecto MA.

Como toda vibração é som essa primeira vibração é considerada o Som Primordial ou OM. Conforme a vibração é que todas as coisas existem e por isto podemos dizer que todas as coisas são constituídas de sons, sendo, portanto, justificável o porquê da música influir não só sobre as formas biológicas de vida como também sobre a matéria inanimada. Como resultado todas as coisas podem ser destruídas, modificadas, criadas ou recriadas pelo poder do som.

Estes aspectos mostram a equivalência do som com as Trindades clássicas, em especial com a Bramânica: O lado criador, o conservador e o destruidor. Na creação o OM desdobrou-se em três Tons: o Tom criativo, o Tom conservador e o Tom que correspondem aos 3 aspectos de Brahman ( Brahmâ - Vishnu - Shiva).

Todo o universo imanente está constantemente sendo regido por esses princípios, conforme estudamos em outras palestras. Isto nos leva a considerar que a música além de um papel estético ela exerce um papel sociológico importantíssimo.

Por ser a música não apenas um agrupamento de sons organizados tem que ser levado em conta o seu efeito sobre o espírito e o caráter do homem. Uma das decorrências disto é que mudanças musicais numa sociedade, ou nação, podem carretar benefícios ou não; das inovações musicais pode resultar degradação pelo poder destrutivo, ou aprimoramento da sociedade pelo poder construtivo. Assim é que na música está implícita a capacidade de transformar - aperfeiçoar ou degradar - a civilização.

Virtualmente todas as civilizações da antigüidade adotavam esse ponto de vista, as mais sábias tinham consciência muito maior das armadilhas dos extremos da música, a super-rigidez e a super-inovação, e procurando manter um equilíbrio entre ambos. A super-rigidez seria mortal para o Estado enquanto que a completa inflexibilidade levaria a música a estragar-se.

O som cósmico está em tudo e em todos e por isso pode ser considerada a manifestação da expressão cósmica. Ela é capaz de dirigir e influenciar a natureza emocional do homem, afetar diretamente a saúde do corpo físico, mas talvez sua mais significativa ação seja de natureza moral. Os chineses estavam certos de que toda música vulgar e sensual condicionava de forma sutil esse mesmo tipo de influência sobre o ouvinte.

A perda da afinação com a ordem celeste reduz inevitavelmente qualquer civilização a um estado de imperfeição e impermanência. Os princípios celestes são eternos e tudo o que estiver em harmonia com eles perdura. Disto resulta que numa nação, não somente o povo, mas, especialmente os dirigentes devem estar afinados com os princípios cósmicos, entre estes a música, do contrário terá existência efêmera. O declínio das nações sempre ocorre quando de alguma forma é rompida a harmonia com os princípios da Ordem Divina.

Os Tons Pirmordiais

Na China a decadência da música se fez sentir durante a dinastia Ch´ing exatamente quando aquela civilização também se deteriorou, exatamente como os sábios haviam predito e a própria sabedoria antiga foi sendo aos poucos esquecida. Sempre que ''o povo perde certo tipo de sabedoria o declínio começa a rondar-lhe.

O que estamos falando é dito por outras culturas e por outros sistemas. As culturas que têm por base a Cabala afirmam que a Creação não é algo aleatório, ela obedece a um esquema celestial, representado esquematicamente pela "Árvore da Vida", onde as notas musicais, incluindo os dois intervalos, estão nela representadas pelos sephirah e por sua vez, os Três Tons Primordiais estão pelos Três Véus.

Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.