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26 de jan de 2011

Ação Biológica da Música

" Só percebemos o valor da água
depois que a fonte seca".
Provérbio popular

Relativamente pouca atenção tem sido dispensada à ação da música sobre os seres vivos em geral e o humano em particular. Mesmo que a experiência popular venha mostrando que existem muitos conhecimentos existem com relação aos sons mas que por não serem reconhecidos pela ciência são etiquetados como simples crendices, e entre eles nesta palestra queremos citar um conhecimento milenar que somente agora a ciência vem estudando e até mesmo usando em certas experiências. Sabe-se que os animais tornam-se inquietos ante determinados eventos que nem ao menos são detectados pelos mais sofisticados aparelhos. Sabe-se inúmeros animais percebem terremotos dias antes dos sismógrafos registrarem quaisquer indícios significativos. Isto mostra que o organismo de determinados animais, de alguma forma, registra previamente aqueles eventos. A ciência está chegando à conclusão que isto se deve a vibrações subsônicas oriundas das camadas profundas do solo.

Estudos atualizados vêm demonstrando que a música afeta o corpo físico do homem a tal ponto que é difícil encontrar uma única função orgânica que não sofra a influência dos tons musicais. A biologia vem descobrindo, que as terminações dos nervos auditivos não se restringem somente ao ouvido interno, que existe percepção auditiva subliminar através de toda rede nervosa, isto justifica o porquê da própria ciência afirmar que não existe surdez total.

Experiências relativamente recentes vêm demonstrando que a ação da música influi na digestão, nas secreções internas, na circulação sangüínea, na nutrição e na respiração e que até mesmo os neurônios do próprio cérebro são diretamente sensíveis aos princípios harmônicos. Desta forma podemos dizer que todo o corpo é afetado de acordo com a natureza da música cujas vibrações incidem sobre eles.

A música afeta o corpo de duas maneiras distintas: diretamente pelo efeito de ressonância sobre as células e os órgãos, e indiretamente sobre as emoções, que, por seu turno, influenciam numerosos processos corporais. Estamos nos referindo à música orquestrada mas considerando-se a música cantada tem que ser levado em conta a influência condicionada pela mensagens implícita nas palavras

É difícil encontrar uma única fração do corpo que não sofra a influência dos tons musicais. "Os doutores Earl Flosdorf e Leslie A. Cambers descobriram, numa série de experiências, que sons agudos projetados num meio líquido coagulam proteínas. Uma recente mania de adolescentes consiste em levar ovos frescos a concertos de rock e colocá-los à beira do palco. No meio do concerto, os ovos podem ser comidos cozidos pela ação da música. Surpreendentemente, poucos afeiçoados do rock perguntam a si próprio o que a mesma música poderia causar-lhes aos corpos" [1]

Recentemente um neurologista russo, Dr. Tartchanoff descobriu que a música exerce poderosa influência sobre a atividade muscular que aumenta ou diminui de acordo com o caráter das melodias. Evidenciou que quando é triste ou o seu ritmo é lento, e em tom menor, a música diminui a capacidade de trabalho muscular a ponto de interrompê-lo em determinadas circunstâncias. As pesquisas do Dr. Tartchanoff ratificam outros que tem demonstrado que a música pode modificar o metabolismo, afetar a energia muscular, elevar ou diminuir a pressão sangüínea e influir na digestão. Disto advém que vem crescendo um sistema terapêutico - musicoterapia - que usa a música em vez de medicamentos químicos para cura de diversos males. Dizem os musicoterapeutas que a música pode substituir de uma maneira bem mais suave e agradável o uso de muitas drogas capazes de produzir alterações em nosso corpo.[2]

Um ritmo acelerado libera na corrente sangüínea substâncias químicas que excitam o organismo cujo efeito pode se prolongar por tempo razoavelmente longo. Assim sendo a pessoa torna-se sujeita a desenvolver uma forma de dependência. Quando um jovem costuma ouvir música de rock várias horas por dia ela em breve desenvolve literalmente uma forma de dependência a tal ponto de sentir uma sensação de vazio quando, por uma razão qualquer, deixa de ouvir aquele gênero de música por um certo período de tempo.

Têm sido atualmente registrados efeitos inusitados da música sobre muitas pessoas a ponto de já se falar num estado de doença chamado "epilepsia musicogênica" que consiste no desencadeamento de um estado convulsivo quando expostas a determinadas músicas. Embora a ciência tenha dirigido mais sua atenção para os efeitos dos sons sobre a audição, especialmente considerando lesões dos sistema auditivo caracterizadas por surdez provocadas por sons muito intensos, aqueles que ultrapassam a casa dos 90 decibéis, tem-se registrados muitos outros distúrbios sérios que progressivamente vêm sendo registrados. Tem-se registros bem documentados de 76 casos de pessoas que têm crise convulsiva diante de determinados efeitos musicais. Até mesmo alguns casos de suicídio, ou de tentativas, já foram registrados por efeito direto de determinadas musicas.[3]

São em grande número as experiências que atualmente estão sendo levadas a efeito sobre a ação da música nos seres biológicos. Vale salientar algumas dessas experiências. De início mencionemos uma delas levada a efeito pelo Dr. Lee Salk em um berçário de recém-nascidos. Ele fez tocar para um grupo de bebês recém-nascidos um disco em que haviam sido gravados batimentos cardíacos normais. Aconteceu que sob esse som a maioria dos bebês acalmaram-se e dormiram. Em seguida o Dr. Salk tocou uma gravação com a pulsação acelerada de uma pessoa excitada, então todos os bebês despertaram e alguns deles chorando. [4]



Vale mencionar uma outra experiência que consideramos bem curiosa feita num serviço de psicologia nos Estados Unidos e que consistiu em colocar um certo número de ratos em duas caixas interligadas. Numa delas havia um fundo sonoro com uma música rock e na outra com música de Bach. Aconteceu que todos os ratos se agruparam no compartimento coma música de Bach. Parando a música muitos voltavam para a caixa de rock.

Um estudo levado a efeito no Instituto Max Plank, da Alemanha, revelou que 70 decibéis sistemáticos de ruído causa constrição vascular - particularmente perigosa se as artérias coronárias já tiveram sido estreitadas pela arteriosclerose. [5] Isto acontece porque o hormônio adrenalina é lançado na corrente sangüínea durante o stress, a ansiedade ou experiência simulada de submeter-se alguém a um volume anormal de música. Quando isso acontece o coração acelera, os vasos sangüíneos se constringem, dilatam-se as pupilas, empalidece a pele, e não aro estômago , os intestinos e o esôfago são tomados de espasmos. Quando o volume e prolongado os batimentos cardíacos tornam-se irregulares. [6]

Nesta palestra vimos que na música não interessa apenas o seu lado melódico, estético. Bem mais que isto o que mais importa é a capacidade de ressonância que se faz sentir no organismo com os mais diversos resultados.

Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.