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29 de mai de 2009

Os Sons Audíveis

" À Música cabe transmitir verdades
eternas e fluir no caráter do homem
visando torná-lo melhor".
David Tame

A amplitude das notas determinam a harmonia

Se tudo no Universo Imanente é basicamente vibração e se existe a lei da ressonância vibratória naturalmente todas as coisas existentes estão integradas entre si. A ressonância já seria suficiente para autenticar esta condição integrativa.

Vimos na palestra anterior que aquilo que chamamos silencio é algo relativo e sendo assim é impossível existir o silencio pleno dentro da creação. Se tal acontecesse haveria a derrocada do Universo Imanente com retorno de tudo à condição de origem.

Os seres são formas de existência que requerem como condição sin nequa non o Principio da Vibração em muitos sentidos e por muitas razões. Isto conduz a pessoa a buscar as mais diversas atividades, especialmente sensações táteis, visuais e acústicas.

Evidentemente o estar imerso em vibrações é um requisito imprescindível ao ser humano, isolar-se disto é mergulhar no terrível tédio. A medicina sabe que o silêncio visual e sonoro[1] leva à loucura. Isto acontece porque seria uma rotura parcial da unidade existencial, um bloqueio à integração.

Quanto mais distante da Unidade, quanto maior a descontinuidade, tanto maior os índices de vibração, e maior o número de tons e assim sendo, na medida em que a pessoa vem espiritualmente se desenvolvendo mais ela tende a se afastar dos grandes índices de ruídos e se aproximar dos Tons Primordiais. Passo a passo o desenvolvimento espiritual conduz a pessoa buscar o silêncio relativo até que um dia ela possa chegar ao Silencio Absoluto.

O ser é um tanto cativo do plano existencial em que se encontra por isto é que existindo num mundo fragmentário, fruto de incomensurável variedades de vibrações, ele inexoravelmente sente-se dominado pelos sons, contudo na medida em que vem desenvolvendo-se espiritualmente simultaneamente modifica, mesmo não intencionalmente, sua preferencia quanto à natureza dos sons expressos como preferência musical.

Os Mestres sempre têm demonstrado grande reverência pelos sons, pois sabem que podem liberar energias sagradas por meio de sons audíveis. Por isso usam sons, quer sejam simples vocalizações, quer músicas e cânticos sagrados. Embora seja importante o conhecimento preciso de certas qualidades dos sons em geral, e da música em particular, afim de que determinados objetivos sejam atingidos, ainda assim, muitas vezes não se faz necessariamente preciso conhecimentos específicos, pois o próprio sentimento serve como diretriz.

Na verdade onde quer que exista um som há manifestação de algum efeito, quer de fácil percepção quer não, em decorrência da ressonância vibratória. Muitas vezes pode até mesmo haver liberação de alguma coisa fenomenal a partir das pujantes energias ressonantes da vibração fundamental. Onde quer que se produza um som audível algo acontece em determinado nível. A natureza de um som audível sempre determina algum efeito visível ou oculto, pois na verdade os sons tiram energia do Alto para operar mudanças no mundo de baixo.

O homem ocidental têm muita dificuldade em entender o porquê de certas práticas orientais que envolvem sons. O ocidental busca mais nos sons a melodia, a musicalidade, ou seja, o seu lado estético dos sons, enquanto os orientais, mesmo não desprezando este aspecto, têm em alta consideração o som em si e é por isso que existem na maioria dos países tantos instrumentos sonoros exóticos como címbalos, sinetas, gongos, etc., não só nos templos como nas ruas e nas casas. Em muitas cidade vêem-se até mesmo nas ruas as conhecidas rodas de oração, ou "moinhos de oração". O ocidental comumente vê como meras curiosidades, excentricidades, ou mesmo superstições, a prática do uso de pequenos sinos, tubos sonoros, címbalos, que são pendurados diante das portas, e mais ainda o uso das chamadas "rodas de oração" tão comuns do Tibete, por exemplo.

Em muitos países na medida em que a pessoa caminha diante dos templos, ou até mesmo nas ruas, encontra rodas que acionadas produzem sons, as rodas de oração, e fazem empenho em girá-las seguidamente. Queremos dizer que não se pode considerar mera tolice uma prática presente em muitos países onde pessoas eruditas, pensadores, filósofos inteligentes esse tipo de prática.

Podemos dizer que instrumentos sonoros ritualísticos como os mencionados, ou outros equivalentes, estiveram sempre presentes em todas as culturas, quer címbalos, sinetas e gongos no Oriente, grandes trombetas nos rincões do Himalaia, tambores na África, flautas nos Andes. Assim podemos dizer que existe sons invocativos em todos as culturas do passado. Embora as culturas cristãs digam que tudo isso seja um amontoado de superstições temos que levar em conta que a própria Religião Católica não é diferente, pois todas as igrejas têm sinos que na verdade não se tratam de algo usado apenas para chamar os fieis à oração. Se assim fosse porque toca-los durante os atos litúrgicos, ou quando morre algum católico? Durante a missa não apenas tocam sinos, mas também sinetas durante a elevação e em outros momentos, além dos sinos. Durante a missa soam sinetas em diversos momentos e tudo isso se

Trata de herança de outras doutrinas que influíram no ritual católico. Na realidade no seio do catolicismo desde a Idade Média afirma-se que sons de sinos afastam demônios.



Ilustração da Idade Média

Os sons quando modulados segundo determinadas regras constituem exatamente aquilo que chamam de música. Em priscas eras mesmo os sons audíveis musicais eram considerados reflexos terrenos de uma atividade vibratória superior, de algo que se verifica além do mundo físico, portanto mais fundamental e mais próxima do âmago das coisas do que qualquer som.

A música deve ser considerada como arte e como força, são duas faces distintas mesmo que interligadas. Toda vibração tem uma força porque produz efeitos sobre outras coisas em decorrência da ressonância. Baseado nesta condição na Bíblia fala que Josué destruiu as muralhas da cidade e Jericó por meio de sons de trombetas de chifre de carneiro[2]. Para muitos se trata de simples mito, contudo já foram descobertas as ruínas do muro de Jericó pelos arqueólogos e o que é curioso é constatou-se haver sido destruída naturalmente e sim que houve algo inusitado que atuou num só momento desmanchando os muros, que caíram todos instantaneamente de dentro para fora.

Queremos dizer que as muralhas de Jericó ruíram pelo poder dos sons, mas, como afirma a arqueologia elas desmoronaram realmente por algum motivo e se esse motivo é atribuído ao som das cornetas, mesmo que não hajam sido assim, ainda assim tal menção reflete a grande importância que na época era dado aos sons, pois se assim não fosse por certo o redator da estória haveria escolhido uma outra razão mais plausível para justificar a causa da destruição daquela muralha. Assim pode-se evidenciar que os redatores do livro num passado distante atribuíam poderes aos sons, caso contrário eles haveriam citado alguma outra razão mais plausível como justificativa para o desmoronamento das citadas muralhas.

Se tudo o que foi afirmado antes for de natureza mítica ainda assim deve-se ser levado em conta que sempre um mito qualquer tem como base um tanto de verdade e sendo assim é aceitável que os Hebreus sabiam que os sons podiam ser construtivos ou destrutivos. Nos Livros Sagrados em geral e a Bíblia em particular vê-se o quanto de importância era dado à musica.

Não existe mistério algum em tudo isto que foi afirmado, trata-se apenas de conseqüências do efeito de ressonância vibratória. Num tema 092 falamos do poder dos sons, citamos de que na França num instituto de pesquisa acústica surgiram rachaduras na estrutura do edifício causadas como conseqüência de ultra-sons oriundos de algumas experiências realizadas nos laboratórios.

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Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.